A visão de fenómenos inexplicáveis parece ter uma origem tão longínqua, quanto a do Homem. Nos nossos dias, essas experiências continuam a ter lugar e a exercer sobre os videntes uma forte sensação de que “alguém” nos vem observando e, até, influenciando as nossas vidas. Quem são? De onde vêm? Com que propósito? Não podemos saber. 
Fazem-se conjecturas a esse respeito e, apesar da enorme ignorância sobre o assunto há a percepção dum caminhar para uma interpretação racional do fenómeno ou, pelo menos, para alguma hipótese de trabalho
.  
Mitos e lendas confundem-se entre o real e o imaginário colectivo. Visões celestes  põem-nos em contacto com criaturas de outros mundos ou de outras dimensões. Deuses, astronautas, ambas as coisas, fantasia popular, ou realidade? A nossa Terra parece ser um enorme palco no qual decorrem, sob os nossos olhares atónitos, incrédulos e impotentes, a mais variada sorte de fenómenos designadamente as aparições ou visões de seres ou entidades antropomórficas acerca dos quais nos chegam as mais remotas referências.
Este tipo de fenómeno, pelas características particulares de que se reveste, é interpretado, pelos observadores, como manifestações divinas, em que os actores, em regra, representam apenas para um “afortunado” espectador, por vezes dois ou um pouco mais, mas raramente para uma multidão. Na maior parte dos casos, fenómenos deste tipo parecem ser uma acção dirigida ao indivíduo singular  - o “peão”, o qual, após o contacto, tem como “missão” passar a mensagem ao resto do grupo. 
Como fenómeno “individual”, pode enquadrar-se no
foro parapsicológico. Um incontrolável desbloqueio mental ou uma sugestão forjada por uma mente obcecada e doentia, podem desencadear manifestações deste tipo. Porém, temos de admitir, a existência de fenómenos exteriores ao sujeito traduzindo um acontecimento concreto, real. 
Para quem analisa estes casos, não é fácil distinguir o real do imaginário, ou saber quando acaba um e começa o outro. Realidade, fantasia ou mito, a verdade é que todos os povos, desde os tempos mais remotos, dizem ter visto e contactado criaturas ou entidades que, pelo seu aspecto e características, levam os videntes a supor tratar-se de divindades, demónios ou seres de capacidade superior. Mitos, lendas e escritos antigos, referem-se-lhes com frequência, assim como a generalidade dos
“Livros Sagrados” de quase todas as religiões. Muitas das tradições orais de religiões animistas referem contactos com entidades superiores divinas. 
Este é, sem dúvida, um fenómeno que, do ponto de vista temporal, parece ter acompanhado desde sempre a espécie humana, até aos nossos dias. Embora admitindo que tenha havido inúmeros casos de alucinação ou semelhantes, alguns, possivelmente, poderão conter alguma veracidade. 

A Bíblia cristã está repleta de referências a entidades que, alegadamente, nos visitaram, com finalidades muito objectivas. Em todas as religiões, existem relatos de seres humanos que teriam mantido privilegiados contactos com criaturas superiores, identificadas como deuses ou seus enviados. Esses “contactados” parecem fazer parte de uma “classe” ou de uma “elite” de indivíduos que, não obstante as naturais barreiras do tempo e da evolução das mentalidades, ainda existem nos nossos dias.  ;
As entidades descritas nem sempre são de âmbito religioso - deuses, santos, anjos, arcanjos, serafins, querubins ou demónios. Muitas vezes, são também identificados como fadas, duendes, gnomos, seres encantados, monstros, vampiros, lobisomens, fantasmas, etc. e, mais recentemente, os extraterrestres. 
Na esmagadora maioria destes casos, esses seres sub-humanos ou supra-humanos constam do imaginário popular, com base em lendas ou mitos. As histórias fantásticas, normalmente são alicerçadas em factos reais, que foram profundamente modificadas pela interpretação narrativa popular que acrescenta ou subtrai, a seu bel-prazer, factos associados à sua fantasia pintando-os com sonho, medo, ignorância, crença e ingenuidade. Outros, porém, têm o conteúdo indispensável para merecer uma atenção e reflexão mais profundas. Poderá então, dizer-se que o caso passa os limites do mero
folclore e merece um estudo rigoroso e científico. 
Partindo do pressuposto que alguns desses videntes viveram, de facto, as experiências relatadas, será lícito perguntar se todos esses seres não terão uma origem semelhante ou comum? Farão todos (ou alguns) parte da mesma acção dirigida aos que nesta Terra habitam? Algumas dessas entidades existirão de facto
ou serão fruto da imaginação Humana? 
Grande parte das aparições de seres ou entidades de aspecto humano (pelo menos no desenrolar deste milénio) têm sido atribuídas a Maria, Mãe de Jesus Cristo, ou a ele próprio ou a santos da Igreja Católica. Em todos os continentes onde predomina a religião católica, existem cerca de 200 aparições atribuídas a Maria Mãe da Jesus. Só no nosso país estão contabilizadas mais de trinta, sendo a mais famosa a da Cova da Iria, em 1917. Estas são chamadas as aparições “Marianas” por, aparentemente, se referirem à Mãe de Jesus. 
A versão religiosa destes eventos tem acontecido, naturalmente, por razões sobejamente conhecidas. O que importa é análise dos acontecimentos à luz de um raciocínio lógico, divorciado de quaisquer leitura tendenciosa, e numa perspectiva científica actualizada
. O próprio Vaticano, ciente da provável analogia entre este tipo de fenómenos e o fenómeno dos “ovni”, tem estudado cuidadosamente o assunto, através de um gabinete próprio. De referir que a maioria destas aparições não foram jamais autenticadas pela Santa Sé, o que revela grande prudência sobre este assunto.
 
Estes parecem ser, sem dúvida, fenómenos dirigidos cujos objectivos denunciariam a preocupação constante de manter na Humanidade a ideia de que o seu destino supremo está nas mãos de entidades superiores (Deuses?), que a todo o momento nos controlam e vigiam. Tudo isto se deve ao facto do fenómeno apresentar características muito singulares em determinados aspectos, relativamente a situações semelhantes.  
No que respeita às aparições “Marianas”, a entidade surge aos olhos do vidente num cenário de cambiantes muito singulares e ímpares se analisados do ponto de vista da ovnilogia incluindo os seus possíveis objectivos. Nestes casos, a personagem manifesta-se criando uma atmosfera envolvente que propicia reacções positivas que, actuando no vidente, o transforma num elemento altamente receptivo. Deste modo, a testemunha/vidente absorve, sem reservas e sem qualquer temor, não só a mensagem, como lhe confere no final, um cunho espiritual, religioso ou afim. 
Em regra, este tipo de aparições, contrariamente às que são catalogadas como manifestações do tipo "ovni", acontece à luz do dia. Também, o conteúdo da “mensagem” é diferente. No primeiro caso, são exortados valores universais, de ordem moral e de postura cívica, como a paz, o amor ao próximo, o respeito mútuo, a preservação das espécies e do meio, e de um modo geral, os mais elevados valores morais e espirituais, como a iniciação à oração, meditação e penitência. São sugeridos métodos de conduta individual e colectiva. Por fim, na maior parte das vezes, é ordenado à testemunha, com o recurso a algumas “técnicas de sugestão”, a edificação, no local do “encontro”, de um marco que perpetue o evento. 

Daí os templos propiciando periódicas romagens e peregrinações de muita gente sintonizada na mesma onda de fé ao local do acontecimento. Com que objectivos? Não se sabe. 
Pode dizer-se que os processos utilizados pelas entidades “Marianas” acabam por atingir os seus reais propósitos. Pelo contrário, as “mensagens” alegadamente conotadas com ETs, podendo até revestir-se de um conteúdo semelhante, acabam por não surtir o mesmo efeito. Talvez, quem sabe, não façam parte de um “plano global” ou não possuam um real objectivo, ou destinam-se, somente, a influenciar a consciência de um número extremamente reduzido de indivíduos. 
Nos casos “Marianos”, a entidade procura deliberadamente um contacto, com fins muito específicos. No que respeita a entidades relacionadas com os "ovnis", estas manifestações, na maioria dos casos, parecem associadas a um mero acaso. De facto, salvo situações particulares, este tipo de aparição é fugaz, fazendo supor que, os planos destas entidades apontam para objectivos diferentes. 
Numa visão global do fenómeno das aparições de entidades antropomórficas existem muitos pontos comuns entre os dois tipos de observação apesar de possuírem objectivos aparentemente distintos
. Analisando todas as vertentes deste mistério, quer na sua vertente “Mariana”, quer na de alegada “procedência extraterrestre”, ambas parecem possuir um ponto de origem comum. Parecem tratar-se de manifestações de um mesmo fenómeno ou origem e talvez a mesma finalidade, embora utilizando “meios” diferentes. Sem querer especular demasiado, pode-se admitir que existam entidades capazes de “manipular” a mente humana, de modo a criar no vidente a sensação de contacto. 
É um problema em debate e um desafio para a Humanidade.