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 A PUFOI
esteve no lançamento
 

No passado domingo, dia 2 de Junho de 2002,  na Feira do Livro realizado no Pavilhão Rosa Mota na cidade do Porto, ocorreu o lançamento do livro:

 "FÁTIMA Nos Bastidores do Segredo"

de Fina d'Armada e Joaquim Fernandes


No Auditório do Pavilhão um numeroso público seguiu com muito interesse as intervenções dos apresentadores desse livro:

  O responsável da editora "Âncora Editora"
 Prof. Dr. Carlos Azevedo (Teólogo e Vice Reitor da Universidade Católica)  e os autores

Esta é a segunda obra que os autores Fina d'Armada e Joaquim Fernandes dedicam às "aparições"que ocorreram  em Fátima em 1917. Através dum cuidadoso estudo e criteriosa pesquisa uma nova luz está a surgir em torno destes acontecimentos que marcaram, para sempre, o nosso país e até o mundo.  Segundo os autores torna-se evidente que existem duas "Fátimas":
A "Fátima 1",  ainda cheia de incógnitas e desafios, para a pesquisa científica, mas que aponta para uma ocorrência de tipo "ovnilógico" .
A "Fátima 2" de cariz religioso e até social que segue os seus percursos peculiares -  Uns, respeitáveis, como elementos de fé e de crença. Outros, menos respeitáveis, enquanto, deturpação e aproveitamento.
Na nossa opinião este acontecimento poderá ser mais uma achega, importante, ao movimento em curso de diálogo entre a Ciência e a Religião.

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Prefácio

O fenómeno mais importante do revivalismo católico durante a 1ª República Portuguesa foi, sem dúvida, o das chamadas «aparições» de Fátima. De 13 de Maio a 13 de Outubro de 1917, três pequenos pastores do lugar de Aljustrel (freguesia de Fátima, concelho de Vila Nova de Ourém), de nomes Lúcia Santos, Jacinta Marta e Francisco Marta, afirmaram ter-lhes aparecido, mensalmente, Nossa Senhora, no sítio da Cova da Iria, transmitindo-lhes um conjunto de mensagens de carácter pessoal, nacional e internacional.
O sucesso das «aparições» de Fátima foi precedido por alguns fracassos. A eclosão da 1ª Grande Guerra favorecera a intensificação da fé em geral e do culto mariano em particular, quer em Portugal quer em outros países católicos. Nas folhas periódicas da época relatavam-se casos de «aparições» da Virgem Maria a donzelas e a soldados, por vezes em conexão com a luta armada. Em Portugal, teve certa difusão o acontecimento do Barral (concelho de Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo), «aparição» de Nossa Senhora a um pastorinho, Armando Severino Alves, em 10 de Maio de 1917, com diálogo entre a Virgem e o vidente que se pode comparar aos diálogos de Fátima. Por outro lado, a primeira versão dos acontecimentos de 13 de Outubro, em Fátima, relatava que a Virgem dissera à vidente Lúcia que a guerra ia acabar nesse mesmo dia.
É difícil averiguar hoje com rigor o que se passou na Cova da Iria nesses meses de Maio a Outubro. Diversas interpretações têm sido propostas, desde a identificação de Nossa Senhora com a mulher do major Genipro da Cunha de Eça da Costa Freitas e Almeida - que, vestida de branco, passeava pelos campos - até à tese «ovnilógica», defendida com variantes por Fina d'Armada, Joaquim Fernandes e Seomara da Veiga Ferreira. Também José Rodrigues Miguéis, num romance famoso (O Milagre segundo Salomé, 1974), apresentou a sua versão, romanceada, do que se teria passado, o mesmo fazendo Natália Correia (A Pécora, 1983). Todavia, fossem os factos independentes da acção do clero, fossem eles uma criação sua, a verdade é que a Igreja Católica os explorou brilhantemente, conseguindo extrair deles todo um conjunto de interpretações e de consequências que exerceram influência grande sobre as massas, contribuindo para um revigoramento da fé.

As repercussões do acontecimento foram quase imediatas, passando a acorrer ao local - sobretudo em Maio e em Outubro de cada ano - milhares de peregrinos. A intervenção das autoridades, procurando desmistificar o acontecimento e impedir as peregrinações, mostrou-se ineficaz, contribuindo somente para criar uma atmosfera de ódio e calúnia em tomo do probo administrador do concelho de Vila Nova de Ourém, Artur de Oliveira Santos. O prelado do novo bispado de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, em funções desde 1920, compreendeu desde logo o partido que poderia tirar das «aparições», tanto do ponto de vista espiritual como material, dando-lhes todo o apoio. Sucederam-se os depoimentos e as apologias, correlacionando-se as «aparições» com a descristianização veiculada pela República e estabelecendo-se uma ligação íntima entre o fenómeno religioso e a oposição ao regime. Num dos hinos de Fátima dessa época falava-se na «Pátria envilecida» pela República, noutro na salvação do «mal» que afligia a «lusa terra». Em Outubro de 1930, em plena ditadura, as «aparições» de Fátima foram oficialmente declaradas pela Igreja «dignas de crédito», o que implicava o reconhecimento do culto local.
No presente livro, Fina d'Armada e Joaquim Fernandes voltam ao assunto e às explicações possíveis, enriquecendo-as com novos argumentos reveladores de investigação e erudição dignas de nota. Rico como é em hipóteses interpretativas, o fenómeno da Cova da Iria conjugou provavelmente elementos das várias teses propostas. Isso torna-o fascinante, convidando especialistas de diversas ciências e paraciências - a história, a sociologia, a antropologia, a teologia cristã, o espiritismo, a «ovnilogia» e outras - a continuarem a debruçar-se sobre ele, na busca de uma «verdade» aceitável pelo maior número de pessoas. Bem hajam, por isso, os autores.

A.  H. de Oliveira Marques