REGRAS DO OBSERVADOR         Continuação

Somos, na esmagadora maioria, potenciais maus observadores. Uma das razões principais é a de não termos por hábito a observação do detalhe. Se a observação for dirigida para o espaço aéreo, tanto pior. Olhamos, mas pouco vemos! Essa desabituação poderá ser negativamente decisiva, quando confrontados com algo fora do comum, que se passe nesse cenário maravilhoso mas ainda pouco conhecido.

Uma percentagem elevadíssima dos relatos que descrevem a presença de objectos aéreos desconhecidos ou não identificados, acabam por se revelarem deficientes observações. Se quisermos ser minimamente rigorosos, devemos obedecer a algumas regras simples, mas fundamentais. Nada existe de pior do que nos "enganarmos" a nós próprios!... Podemos efectuar uma observação ocasionalmente, sendo "apanhados" de surpresa, mas também podemos pré-programar sessões de observação  com a finalidade de "apanhar" algo de insólito. Em qualquer dos casos, devemos ter em atenção o seguinte:

 1 - Só as observações que não deixarem margem para dúvidas, deverão ser consideradas. Devemos apenas dar particular atenção a tudo o que se passe até aos 4.000 metros, se existirem boas condições de visibilidade (a essa distância uma aeronave comercial de envergadura média representa metade da espessura do nosso dedo mínimo, à distância de um braço estendido). Que o seu aspecto, forma, luminosidade, ruído, cor, plano de vôo etc., suscite sérias suspeitas de que se está em presença de algo cuja natureza seja verdadeiramente incomum.

2 - A distância do observador ao objecto observado, as condições meteorológicas, o campo de visão e o tempo de observação, são naturalmente de extrema importância para o resultado final, mas o seu conhecimento sobre a variedade, características e comportamentos dos artefactos convencionais, assim como o de outros "fenómenos" conhecidos e de um pouco de conhecimentos astronómicos, poderão ajudar a efectuar um bom depoimento e resultar numa informação importante.

3 - Na maioria dos casos, muito do que não passa de vulgar é confundido com um "não identificado".

- Aeronaves civis e militares, especialmente durante o período nocturno. 
- Satélites artificiais. 
- Estrelas e planetas muito brilhantes. 
- Queda de meteoritos.
- Passagem de meteoros (sem rota de colisão).
- Fenómenos de ionização (perto de jazidas minerais, cabos eléctricos de alta      voltagem em dias de temporal/humidade etc.).
- Fenómenos eléctricos vários (trovoadas e efeitos colaterais).
- Balões sonda (meteorológicos), publicitários e congéneres.
- Bandos de aves ou insectos (formação compacta/ luminosidade reflexa).
- Reflexos luminosos em postes, placas, cabos etc.
- Focos e outras projecções de luz dirigida, cuja origem se desconheça ou não seja visível.
- Raios laser (discotecas, espectáculos exteriores etc.), cuja origem não seja ..visível.
- Fogos de artifício, quando observados demasiado longe da origem.
- Nuvens compactas de formas bizarras.
- Para-quedistas, sobretudo a grandes distâncias ou com má visibilidade.
- Sinais luminosos de embarcações (very-ligths).
- Fogos fatuos ou de santelmo (dificilmente confundíveis).
- Artefactos aéreos experimentais (raros no nosso País).

4 - O bom senso deverá imperar sempre. Devemos, em qualquer circunstância, manter a calma a lucidez e o "sangue frio". Devemos ser racionais nas nossas observações, duvidar até ao último momento, mas gravar em memória todos os detalhes do que estamos observando.
Quando não tivermos absoluta certeza do que observamos, o melhor é não nos excitarmos e desconfiar sempre. A "nossa" ignorância pode ser nossa inimiga. O que se passa num cenário que não dominamos inteiramente, deve merecer especial cuidado. 

5 - Em caso de observar um objecto que se enquadre na categoria dos "não identificados" e que se encontre a menos de 1500m, dever-se-á tomar em conta e anotar: 

- Local (zona do País, urbana/citadina/outra, características físicas, altitude, coordenadas etc.).
- Data/hora (registar começo e fim da observação).
- Condições meteorológicas (o mais detalhado possível).
- Distância aproximada do observador ao observado.
- Como se iniciou e como terminou a observação ( altitude, azimutes etc.).
- Qual o aspecto do objecto observado (forma, luz, cor, ruído, odor, tipo de voo, pormenores de estrutura etc.).
- Efeitos secundários (no ambiente, no solo em objectos, em seres vivos ).
- Número de testemunhas (dados pessoais de cada uma).
- Executar um relatório escrito mencionando todos os detalhes da observação incluindo esboços ou desenhos do objecto e demais anotações que ache importantes e que enriqueçam o testemunho.
- Na existência de captação de imagem e som, referir esse material em anexo, tendo em atenção: características dos aparelhos utilizados, tipo de material usado, tempos de gravação ou exposição etc..


6 - Se lhe acontecer uma observação semelhante, mas muito próxima, acompanhada da visualização ou percepção de entidades antropomórficas (facto raríssimo, mas nem de todo impossível), deverá redobrar os cuidados e estar com o máximo de atenção.
Não entre em excessos. Nem demasiado temerário, nem demasiado temeroso. Mantenha a calma, dominando as suas reacções naturais. Pare e pense. Seja frio e racional. Só assim poderá dominar-se.
Ponha o seu cérebro a trabalhar, não se sinta "inferiorizado" ou "dominado". Actue com prudência e com naturalidade. Não tome iniciativas. Vá actuando de acordo com a situação, tentando sempre jogar à defesa.
Tente recolher mentalmente todos os pormenores desse "encontro".
Evite tocar no que quer que seja.
Se existirem solicitações para alguma acção, certifique-se da sua integridade física. Não se exponha em demasia.
Cuidado com focos, grelhas, tubos e outros acessórios que desconhece.
Tente contudo tirar o máximo partido da situação.
Não tente "roubar" nada, mas tente uma troca (tudo será inferior ao objecto de troca).
Passado o evento, procure de imediato o seu médico e conte-lhe o a sua experiência.
Procure a ajuda de um especialista nestas matérias (não procure videntes, bruxos etc., perderá o seu tempo ).

PARA UMA OBSERVAÇÃO PREMEDITADA

Escolha um bom local, afastado de luminosidades inconvenientes e com um bom campo de visão.
O ideal será um local elevado, no campo, com boas condições meteorológicas e com um campo de visibilidade de 360º.
Previamente deverá fazer um levantamento do local onde irá montar o seu posto de observação.
Localize num mapa da zona o seu posto e os mais importantes pontos de referência: zonas habitacionais, estradas, cursos de água, linhas de alta tensão, elevações etc.. Isso irá ajuda-lo na sua observação.
Deverá possuir elementos astronómicos (carta estelar da época) para que possa identificar os objectos mais proeminentes, de modo a não o confundirem e por outro lado o ajudarem como pontos de referência.
Deverá ter uma noção das rotas aéreas que cruzem esse espaço ( um contacto telefónico para o controle aéreo do aeroporto mais próximo, resolverá a questão).
Material mínimo necessário; bússola, máquina fotográfica equipada com película sensível para o respectivo período do dia, ou câmara video ou similar, binóculos prismáticos (preferência 7x50), gravador de audio, relógio, lanterna, bloco de notas, carta topográfica da região e carta estelar (se a observação for nocturna).
Como material auxiliar; uma boa camisola de lã, um termos com café e muita paciência...

TER EM ATENÇÃO

Ao que não devemos dar demasiada importância:

- Pontos luminosos longínquos aparentemente estáticos.
- Pontos luminosos com trajectórias de aparência orbital.
- Formas nublosas compactas, solitárias, que se desloquem no sentido das massas de ar.
- Refracções de luz nas altas camadas atmosféricas.
- "Fenómenos" inconsistentes, pouco nítidos, difusos e espontâneos.


CONSIDERAÇÕS FINAIS:

Muitos "0VNI'S" aparecem nas fotografias, sem que o autor das mesmas os tenha visto. Cuidado. Certamente trata-se de um reflexo luminoso de cuja origem não deu conta ou sujidade na óptica da sua máquina.
Aconselhamos que exclua do seu equipamento, qualquer aparelho óptico destinado a observações astronómicas. Não servirão de todo para efectuarem observações de objectos em movimento. Será praticamente impossível enquadrá-los e focá-los.

CONCLUINDO

A
Identificação dos numerosos fenómenos naturais e outros 
só poderá levantar dúvidas em situações de observação difícil ou desfavorável.
A pouca atenção ou, simplesmente, a falta de uma elementar informação,
só originam um fenómeno chamado "EQUÍVOCO".

NÃO
procuremos "Ovnis" onde eles não estão.
Este tipo de fenómeno é extremamente raro e exige,
uma paciência astronómica a quem o procura.
Quando surge, normalmente, o seu peculiar comportamento" inteligente"
marca bem a diferença em relação a qualquer outro evento de origem terrena.

NÃO

descartamos, porém, a possibilidade de ocorrências
onde o incrível e o maravilhoso possam acontecer

 PORMENORIZANDO E APROFUNDANDO...