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Em Portugal, na Universidade Fernando Pessoa, o
CTEC- Centro Transdisciplinar de Estudo da Consciência

colocou em marcha um projecto de análise a centenas de registos credíveis recolhidos nas últimas décadas, tendo como base algo que não pode ser objecto de grande dúvida, ou seja, a TESTEMUNHA.

Os três artigos seguintes (publicados no Jornal Matosinhos Hoje) darão uma ideia do que consiste esse interessante projecto que julgamos pioneiro a nível mundial.

O IMAGINÁRIO EXTRATERRESTRE EM PORTUGAL - trabalho do CTEC - Centro Transdisciplinar de Estudo da Consciência - Universidade Fernando Pessoa

 

O IMAGINÁRIO EXTRATERRESTRE EM PORTUGAL NO SÉC. XX
Algo de novo em Portugal
Por António Durval
 


Parte I – Antecedentes (Século XX)

Numa altura em que todos nós andamos preocupados com a dimensão da “crise”, falar da investigação portuguesa do fenómeno “Ovni” pode parecer algo despropositado. No entanto, também é verdade que o abatimento, o desânimo ou a perda dos rumos ou objectivos que vinham a ser implementados, seja a que nível for, nunca será a melhor terapêutica para o tratamento de qualquer crise. Teremos, como diz o nosso povo “fazer das tripas coração” e seguir em frente, apesar das dificuldades acrescidas. Isto é válido, também, para qualquer estudo ou investigação, seja ela no campo da Astronomia, da Física, da Matemática, da Biologia, etc. ou das chamadas “Ciências de Fronteira” que tentam desbravar os imensos mistérios que temos pela frente e para os quais a Ciência ainda não encontrou resposta. Nesta última categoria encontra-se a chamada “ovnilogia” que no nosso país começou a congregar e a associar alguns investigadores a partir da passada década de 70.
Apesar da investigação do fenómeno “Ovni” em Portugal ser pouco badalada nos media existe já entre nós uma longa experiência e saber acumulado para além dum valioso arquivo de casos ocorridos nos últimos 40 anos. Seria um enorme contra-senso correr o risco de se perder este saber e este arquivo já que chegou até aos dias de hoje graças uma série de circunstâncias muito peculiares:
No resumido historial apresentado a seguir, vou somente citar algumas organizações cujo percurso tive o privilégio de conhecer de perto e que têm a particularidade de possuírem um fio condutor que as liga, histórica e organicamente.
Tudo começou numa altura em que as nossas academias eram, ainda, refractárias a qualquer estudo dos chamados “fenómenos insólitos” entre os quais se insere a fenomelogia “ovni”. Apesar disso e dos longos interregnos sem ocorrências, por vezes eram registadas verdadeiras “vagas” com impacto suficiente para se perceber que a melhor atitude não seria continuar a esconder a cabeça na areia. Face ao aparente desinteresse “oficial” era infalível que pessoas, com mais ou menos formação científica se associassem tentando conjugar os seus esforços para o estudo do mesmo. Felizmente a curiosidade é um instinto universal e os portugueses não fogem à regra. Foi assim que em 1975 surgiu na cidade do Porto o “CEAFI” – Centro de Estudos Astronómicos e dos Fenómenos Insólitos.
O CEAFI depressa se desenvolveu chegando mesmo ter uma delegação em Lisboa e outra no Brasil e a publicar a conhecida Revista “Insólito”. O seu verdadeiro contributo para o avanço da ovnilogia no nosso país deve-se sem dúvida à rigorosa metodologia que adoptou, às numerosas deslocações aos locais das ocorrências e ao registo criterioso dos testemunhos obtidos. A chamada “ficha do caso” ainda hoje constitui um documento essencial para o estudo sério destes fenómenos já que para além duma identificação completa dos protagonistas foi possível registar as características do fenómeno e as condições ambientais e meteorológicas que se verificavam na altura. Para além de tudo isto o CEAFI realizou em Outubro de 1978, na Faculdade de Economia do Porto o “1º Congresso Ibérico de Ovnilogia.”
Por razões circunstanciais ao CEAFI sucedeu a “CNIFO – Comissão Nacional de Investigação do Fenómeno OVNI” que herdou todo seu espólio e deu uma continuidade acrescida ao trabalho que até ali tinha sido desenvolvido e publicou a Revista Anomalia com o entusiasmo e a participação de colaboradores universitários. Para além de ter realizado um importante colóquio na Faculdade de Letras do Porto sobre esta temática, muitos casos (porventura os mais importantes) foram registados e estudados pela CNIFO. Em 1995 esta organização deu lugar à “SPEC – Sociedade Portuguesa de Exploração Científica” que assumiu um rosto mais ligado ao ensino superior já que passou a contar com um escol de participantes oriundos dos meios universitários que despertavam para o estudo, não só dos fenómenos tipo “OVNI” mas, de muitos outros temas científicos considerados de “fronteira”. Coube à SPEC dar continuidade ao trabalho desenvolvido anteriormente pelo CEAFI e pela CNIFO e ser o repositório do já citado e precioso arquivo que não parou de crescer. De assinalar que a SPEC em 25 de Outubro de 1997 levou a cabo na Universidade Fernando Pessoa a importante organização do Simpósio Internacional “Fronteiras da Ciência” que contou com a participação de números cientistas internacionais de renome.

(continua com - Parte II – Um projecto pioneiro a nível mundial)

 

  
 


Parte II – Um projecto pioneiro a nível mundial

Antes de avançar para o “projecto” em epígrafe convém conhecer o que sucedeu à linha de investigação, referida no artigo anterior, desde o fim no século XX até hoje:
Devido a vários acidentes de percurso a “SPEC – Sociedade Portuguesa de Exploração Científica” conheceu, também, o seu ocaso acabando por encerrar a sua sede na Rua Gonçalo Cristóvão no Porto. Face a essa situação, alguns investigadores tentaram evitar uma travessia do deserto que poderia colocar em causa todo o percurso de generoso trabalho e teimosia em prol da investigação do fenómeno “ovni”. Mas não era fácil encontrar novas condições para se dar seguimento a uma investigação com base numa metodologia científica.
Enquanto durava esse aparente “impasse”, algo começou a acontecer quase em simultâneo em dois tabuleiros diferentes: Um, foi o aparecimento de uma tertúlia formada por cinco desses investigadores que resolveram criar um site que mantivesse viva a chama da ovnilogia. Assim nasceu a “Pufoi – Investigação Ufológica Portuguesa” e o seu endereço na web é: www.pufoi.home.sapo.pt. Por estranho que pareça, o outro tabuleiro surgiu no seio do mundo académico, um mundo tradicionalmente refractário ao estudo dos ovnis.
Como foi dito, alguns dos investigadores que tarimbaram nos citados grupos eram universitários que nunca sofreram de qualquer complexo em abordar este tipo de temas. Entre eles citamos o Doutor Joaquim Fernandes pelo seu importante e decisivo contributo neste processo. Quando atingiu a carreira de docente na Universidade Fernando Pessoa e com outros seus colegas fundou em 2001 o “CTEC – Centro Transdisciplinar do Estudo da Consciência” da Universidade Fernando Pessoa.
Em breve este centro revelou-se como a solução ideal para destino do valioso espólio já referido. A Pufoi, como parte interessada, apoiou esta solução e abriu o seu site à divulgação das actividades do CTEC dando-se, assim, continuidade a uma cooperação que vinha do passado mas agora num contexto de abertura de uma instituição académica à comunidade.
O CTEC, tal como o seu nome indica, está vocacionado para o imenso universo do estudo da mente que, como sabemos, constitui uma nova e promissora fronteira do conhecimento humano. Entre a sua frutuosa actividade e realizações merece ser referida a realização em 2001 do 2.º Simpósio Internacional “Fronteiras da Ciência” e em 2003 do “Fórum Internacional Ciência, Religião e Consciência”. Este evento trouxe à cidade do Porto numerosos cientistas (entre os quais um prémio Nobel), teólogos e representantes de diversas confissões religiosas. Recentemente publicou a Revista “Cons-Ciências” contendo as actas do referido Fórum facto que consistiu, também, um acontecimento relevante.
O estudo dos “ovnis” é só uma parcela da imensa e variada área de pesquisa do CETC. No entanto, o facto de ter à sua guarda o importante e muito credível “arquivo de casos” acabaria, infalivelmente, por ter as suas consequências. Além disso, um dos ensinamentos da vasta experiência recolhida ao longo dos anos aponta para uma estreita relação entre o fenómeno “Ovni” e o psiquismo das suas testemunhas. Logo, o “casamento” era perfeito.
“Fenómeno e Testemunha - as duas faces do mesmo desafio” é uma frase que se encontra no Site da Pufoi e naturalmente possui significado. É precisamente a partir de premissas desta natureza que o CTEC colocou em marcha um projecto pioneiro a nível mundial, com base nos mais de 700 casos devidamente registados no nosso país nas últimas décadas. O projecto denomina-se: ”Análise e Interpretação de Expressões Simbólicas do Imaginário Extraterrestre” e será o tema do próximo e último artigo desta série.

Não ficaria muito espantado que este nosso já longo caminhar na procura de uma luz para o intrigante mistério dos “ovnis” tivesse como primeira consequência, pelo menos, uma tentativa de resposta à ancestral pergunta… “quem Somos nós?”

(continua com - Parte III – Conclusão)

 


Parte III – Conclusão

Inicio o último artigo desta série, da mesma forma que terminei o anterior. Andamos às voltas tentando encontrar uma resposta para o chamado “fenómeno ovni” e no entanto, ainda pouco sabemos sobre nós mesmos. Como disse, não ficaria muito espantado se qualquer resposta ao mistério dos “ovnis” dependesse, directamente, dos progressos que eventualmente possamos fazer no tocante à clássica pergunta: “Quem somos nós ?”. As religiões, de uma forma geral, tentam dar uma resposta acabada a esta questão de tal modo que aparentemente ficamos com a sensação de que, quanto a isso, já sabemos pelo menos o suficiente. Para a generalidade dos crentes isso até poderá ser verdade. Mas para um cientista, ou um investigador, crente ou não, já não será bem assim.
Ainda há pouco tempo começamos a entender melhor o nosso cérebro, o seu funcionamento e as complexas questões da psique humana. Desde Freud até ao nosso Damásio tem-se avançado bastante mas ainda há muito caminho para desbravar. Basta recordar que o nosso cérebro nada fica a dever em complexidade ao próprio Universo onde estamos inseridos. Em princípio, tudo o que existe à nossa volta, ou mesmo nas longínquas galáxias, acaba por ser possível recriar, em termos “virtuais”, pela nossa mente .
Por essa e por outras razões o CTEC (Centro Transdisciplinar do Estudo da Consciência” da Universidade Fernando Pessoa), entendeu desenvolver um projecto inovador a partir do valioso e já referido espólio documental de que é guardião. Seleccionou umas centenas de fichas referentes a casos de tipo “Ovni” ocorridos no nosso país nas últimas décadas e devidamente autenticados pelos seus protagonistas. A grande novidade deste projecto não está em saber o que aconteceu ao nível do “exterior” (estranhos comportamentos de objectos voadores não identificados, ou mesmo possíveis encontros com criaturas “alienígenas”, etc.) mas sim analisar esses casos a partir do “interior psíquico” das numerosas testemunhas referenciadas. O fenómeno “Ovni” passa a ser, desta forma, também, um fenómeno bem humano.
Entendeu-se que, uma investigação séria e consequente deste intrigante mistério, deve começar por aí. Um dos aspectos que irá merecer uma especial atenção são as representações gráficas feitas espontaneamente pelas testemunhas logo a seguir à vivência dessas “experiências”. Os esboços que fizeram, os materiais que utilizaram (lápis, esferográfica, tipo de papel, etc.) são aspectos que podem dar muitas indicações sobre a dimensão e características do fenómeno psicofísico associado. A este nível existe numerosa documentação, no entanto, a mais importante pela riqueza e pureza do seu conteúdo, reside, sem dúvida, nos esboços e desenhos originais, efectuados por muitas crianças, entre os 7 e os 13 anos, que também, testemunharam “Casos Ovni”.
Resta-me referir, resumidamente as várias fases previstas para o avanço deste projecto que conta á partida com a participação de alguns cientistas portugueses oriundos de várias áreas de investigação incluindo a sociologia, a psicologia a antropologia e até a teologia (Dra. Teresa Toldy, teóloga e antropóloga).
1ª Fase – Grelha de análise com as impressões subjectivas / objectivas e o respectivo quadro psicofísico da testemunha.
2ª. Fase – Análise dos registos gráficos originais feitos pelas testemunhas assim como às suas legendas explicativas (sempre que as houver) e de outros grafismos personalizantes. 3ª. Fase - Análise das reinterpretações dos registos gráficos originais feitas pelo investigador / inquiridor, com particular atenção a aspectos acentuados ou alterados. A existência de falhas e rigor geométrico em relação ao esboço original da testemunha. Também os métodos gráficos utilizados assim como as possíveis legendas e até o modo como foi feito o transporte, tanto gráfico como lexical.
4ª. Fase – Desenvolvimento de um conjunto de trabalhos a publicar, de acordo com as várias “leituras” do espólio analisado.

Estes fenómenos até agora tratados de forma aligeirada e muitas vezes passível de primárias especulações ou superstições passam, agora, a ser objecto duma atenção séria e científica. De facto, a nível do estudo do “fenómeno ovni” está a acontecer algo de novo em Portugal.

 

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